A culpa é das estrelas ou a culpa não é das estrelas?

Posso dizer que “A culpa é das estrelas” é o livro mais adolescente que já li em toda a minha vida acadêmica, mas não deixa de ser parcialmente bom.

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a culpa é das estrelas

Antes que me apontem o dedo, quero esclarecer que assim como milhões de pessoas, eu julgo! Ao ouvir falar desse livro há um ano atrás, inicialmente, senti uma grande fascinação, até saber das críticas ruins sobre ele e do apelido “livro modinha”, o que me fez o rejeitar indiscutivelmente. Mas decidi o ler para poder critica-lo abertamente em um sentido pejorativo.

a culpa é das estrelas?

Posso dizer que “A culpa é das estrelas” é o livro mais adolescente que já li em toda a minha vida acadêmica, mas não deixa de ser parcialmente bom. Apesar das minhas breves identificações com a Hazel, não que eu tenha câncer, mas ambas temos 16 anos, cabelos curtos, uma queda por livros e funcionamos como um repelente humano muito eficaz (as vezes nem tanto). Durante os primeiros capítulos, não consegui entender o que as adolescentes tanto amavam neste livro. Até que eu reparei no Augustus, ele é perfeito, fora o fato de ter apenas uma perna, o que não o impede de ser tão completo como as outras pessoas.

Augustus Waters é o desafio mais primoroso na vida de uma menina, é como se ele tirasse a criatura do seu conforto e lhe entregasse uma provocação, que seria viver, sem falar que ele não faz rodeios, vai direto ao assunto quando o caso é assumir que está se apaixonando pela Hazel (vamos combinar que é difícil meninos assim), mas o segredo não está nele gostar dela, mas dela gostar dele, o livro é escrito pelo ponto de vista da Hazel, então o Augustus transforma-se no garoto mais sensacional da face da Terra, ela o ama e o acha incrível e isso o torna incrível aos leitores.

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Mas o fato é que a garota não impediu do menino se apaixonar por ela e vise verso, e mesmo que a grande parte das pessoas que leem esta obra pensem que no final a granada que explodiu tem por sobrenome Waters, estão piamente enganados, foi uma explosão recíproca. Nenhuma das partes conseguiram evitar de magoar o outro, nem de poupar da dor da morte, a Hazel pelo literal falecimento do Gus, e o Gus de saber que ao morrer a Hazel também morreria para ele.

O belo da história está na “augustopocentria” em consideração que é a história dele narrada pelo amor da sua vida. As inseguranças da narradora talvez sejam as mesmas que as das leitoras, ou elas apenas buscam por um amor de verdade, inteligente e racional. As aventuras que eles vivem e sonham juntos são inalcançáveis para os ledores, e as fazem sonhar com algo parecido. Eu própria enquanto lia, pensei em enviar um e-mail para o Jhon Green, até perceber o quão era absurdo a minha ideia.

A vida do Augustus semelha ser incrível, seus pais compreensivos, seu amigo Isaac aparenta ser um grande parceiro e o garoto parece ignorar os problemas ao seu redor, além de ser bonito e inteligente (dificilmente vamos achar garotos que agregam tantos valores).

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Para não prolongar, vamos ao final da história quando a Hazel lê a carta que seu amado escreveu a ela, mas enviou para seu ex autor favorito. Foi o único momento do livro que eu pude conhecer a Hazel Grace, não como ela se imaginava, mas como ela verdadeiramente era aos olhos do Gus. Neste momento, nas ultimas quatro páginas do livro, nós conseguimos pensar como o Augustus, conhecer a sua amada e desvendar o mistério de porque ele a ama tanto. Essas páginas o faz incrivelmente mais incrível do que ele já é, e nos prende a beleza das suas palavras e não nas qualidades da sua namorada.

Também não podemos ignorar a linguagem que o autor escreveu seu livro, várias gírias, vícios de linguagens e ainda conseguiu dar um ar de culto com suas citações de Shakespeare e a visita dos protagonistas a casa da Anne Frank. Mesmo na divagação da explicação do título, o que em minha opinião foi genial. A culpa é das estrelas, a culpa é do câncer, mas o câncer é feito de mim, então, a culpa é minha e eu posso atribui-la a quem eu quiser.

Basicamente, se você é uma garota sonhadora e que busca um cara que te trará desafios, “A culpa é das estrelas” é o seu tipo de livro. Mas se você está desiludida ou não faz o estilo romântica ou não gosta de livros sobre câncer ou busca uma literatura que não seja infanto juvenil, eu te recomendo ignora-lo.

Texto escrito por Geovanna Rodrigues

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