A origem das novelas brasileiras

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Entenda de onde vem as novelas, qual a inspiração e por que do gosto por elas no Brasil

novelas da globo

O termo “novela” é familiar a literatura séculos antes dos irmãos Lumière inventarem o cinematógrafo. O gênero narrativo novela (definido por alguns estudiosos como intermédio entre o conto e o romance) remete aos tempos das novelas de cavalaria como “Rei Artur e os cavaleiros da távola redonda” que, no entanto, mais tem aproximação e influência em séries como “Game of Thrones” ou “Vikings” do que com telenovelas brasileiras.

Afinal, se “Tieta”, “O outro lado do paraíso” e “Rainha da sucata” não sustentam ligações fortes com as primeiras novelas literárias, qual o ponto crucial de inspiração que as mentem em comum com sua origem?

As tele e radionovelas são continuações teatralizadas de obras escritas cerca um século antes de “Sua vida me pertence” e “Roque Santeiro”.

O movimento literário chamado romantismo detinha basicamente todas as características. Ele se dividiu em três fases. A primeira, nacionalista e indianista, engrandecia a figura do índio – mesmo que um pouco “europeu” – e idolatrava a Patria. Ou seja, o que José de Alencar, no século 19, chamou de “Iracema” ( a história de uma índia endeusada com todas as perfeições possível) e “O Guarani” (um romance entre uma “civilizada” e um “selvagem” com “traços europeus”),  Walcyr Carrasco ,no século 21, chamou de “Alma gêmea”. Na secunda fase, ultrarromântica, os amores eram descritos com melancolia, sem contar que eram amores proibidos e geralmente terminados em tragédia (o suicídio era tido como boa solução para abandono das dores sentimentais). Por um lado, assemelha-se as conturbadas tragédias mescladas a dramatização presente nas obras televisivas, porém, o suicídio raramente é discutido na televisão convencional e, com certo teor de fundamento que, pode-se dizer que é um tabu para a tv aberta. A terceira fase, a condoreira, falava mais de questões sociais, falava também sobre liberdade unindo em certo ponto a questões políticas. Retoma a esse período literário não só no tempo como também em sua temática trabalhos como “Lado a lado”. O desafio, então, seria encontrar uma novela brasileira que não se enquadre nesse contexto.

Mas…

Por que esse período em especifico tomou conta do gosto popular? Primeiramente, por que o Brasil não era mais formado por pessoas extremante ocupadas com a exploração. Se tinha, agora, uma sociedade mais estruturada com formações de famílias que, por ser um momento histórico sexista, as mulheres ficavam em casa enquanto os homens tinham maior liberdade. Elas, por sua vez, sejam por conta do tédio ou por ser nova moda na Europa, tornaram-se ferrenhas leitoras que preferiram obviamente os romances a livro técnicos, pois estavam em busca de entretenimento.

É notável como a influência perpassa o tempo. Obras como “A Moreninha”, de Joaquim Manuel de Macedo, foram publicadas capítulo por capítulo dentro de um intervalo de tempo (isso prendia a atenção dos fãs) e só depois de terminado de lançar o último capítulo o autor os compilava em um livro.

Não é por mera peripécia do acaso que parte dessas obras foram traduzidas para a dramaturgia. E não muito diferente estão deixando o gosto popular. Com a ascensão da globalização na década de 70, que proporcionou um contado com produções elaboradas em outras partes do globo, e por conta da constante atuação de consumo da cultura exterior no Brasil (o próprio romantismo não foi uma criação nacional), o gosto pelas telenovelas vem diminuindo a cada ano e vão dando espaço para séries de um leque muito maior de abordagens em temática e gênero.

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